jusbrasil.com.br
17 de Dezembro de 2017

Justiça desobriga aposentada que trabalha a contribuir para o INSS

Sentença prevê ainda devolução de R$ 42 mil. Há 480 mil segurados com carteira assinada no país

Andressa Garcia, Advogado
Publicado por Andressa Garcia
há 5 meses

Rio - A Justiça Federal reconheceu o direito de uma aposentada do INSS que continua no mercado de trabalho com carteira assinada a não contribuir mais para a Previdência. O Judiciário determinou ainda que R$ 42 mil em descontos para o instituto sejam devolvidos à segurada. A decisão é do juiz Luciano Tertuliano da Silva, do Juizado Especial Federal Cível da cidade de Assis, interior de São Paulo.

Para a advogada Cristiane Saredo, do escritório Vieira e Vieira Consultoria e Assessoria Jurídica Previdenciária, a decisão abre precedentes para que outros aposentados que estão no mercado de trabalho peçam a suspensão do desconto do INSS na Justiça.

Ainda mais depois que, em outubro passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) sepultou a desaposentação, que era a possibilidade de o segurado recalcular o valor do benefício usando as novas contribuições. Segundo dados da Advocacia-Geral da União (AGU) existem 480 mil aposentados trabalhando com carteira assinada no país.

Para o magistrado que deu a sentença, a cobrança da contribuição no caso da aposentada não deveria ser obrigatória uma vez que ao permanecer contribuindo para a Previdência depois de se aposentar, a segurada não tem garantias mínimas do INSS que assegurem proteção em relação ao emprego atual.

“Se não há por parte da Previdência Social uma contraprestação apta a conferir aos segurados que se encontrem em idêntica situação uma proteção suficiente e adequada a todas as contingências sociais, indistintamente, não há razão para se exigir dos contribuintes aposentados empregados, segurados obrigatórios, as contribuições sociais incidentes sobre sua remuneração”, afirmou na sentença.

“O juiz cumpre o que determina a Constituição, pois deve haver contrapartida à contribuição”, diz Cristiane. “A fundamentação usada pelo juiz foi uma das que sempre utilizamos ao pleitear a desaposentação, que é a contraprestação”, afirma.

Precedentes

Mas quem tem direito a entrar com a ação na Justiça e reivindicar essa “isenção previdenciária”?. Segundo a especialista, todo trabalhador que tenha se aposentado pelo INSS e continua contribuindo para a Previdência.

Ela orienta a quem se encaixa nessa condição a juntar a carta de concessão do benefício e o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), nele estão todas as contribuições, até mesmo depois da aposentadoria, caso continue a trabalhar. “O trabalhador aposentado tem que comprovar que está sendo descontado. E o CNIS comprova contribuição”, finaliza.

Caso é afronta à Constituição

Na ação, que começou em 2012, a aposentada pedia para deixar de contribuir com a Previdência, bem como a restituição das quantias já pagas, por entender que, ao permanecer trabalhando e já aposentada, o INSS não oferece coberturas típicas de um sistema materialmente previdenciário.

Para o juiz, o caso revela “uma afronta aos princípios constitucionais da isonomia, da dignidade da pessoa humana e da moralidade pública”.

“A contribuição previdenciária possui dimensão fundamental justamente por ser direito especial relativo à vida. Aos segurados obrigatórios já aposentados, que continuam contribuindo ao RGPS, não é franqueado um regime hábil a ser intitulado minimamente como ‘previdenciário’, isso porque os exclui da cobertura decorrente de eventos como doença, velhice, invalidez ou morte, a despeito de continuarem expondo-se a todo e qualquer risco inerente ao exercício da atividade laboral, ofendendo o princípio da vedação da proteção insuficiente ao desrespeitar toda a evolução já analisada do direito fundamental à cobertura previdenciária”, finaliza o juiz.

Justiça dá direito a usar contribuições posteriores e optar por benefício maior

Os aposentados do INSS que continuaram a trabalhar com carteira assinada têm outra possibilidade de aproveitar as contribuições previdenciárias feitas após a concessão do benefício. Mesmo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em outubro do ano passado, considerou improcedente usar os recolhimentos posteriores para recalcular a aposentaria, a chamada desaposentação, a Justiça Federal reconheceu o direito a um novo benefício levando em conta apenas o que foi pago depois que a Previdência liberou a aposentadoria.

Os advogados denominam esse procedimento como “transformação da aposentadoria”. Recente sentença de 1ª instância em São Paulo, mantida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, já garantiu a concessão de benefício maior para segurada da capital paulista. A diferença em relação ao outro é de 286%.

De acordo com o advogado da causa João Badari, do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, de São Paulo, o valor da nova aposentadoria determinado pela Justiça foi de R$4.020,50. A segurada recebia originalmente R$1.040,83 quando a sentença foi proferida. O processo gerou pagamento de atrasados de R$ 196,6 mil.

Badari esclarece que é preciso, no entanto, que o segurado cumpra requisitos para pleitear a transformação, entre eles comprovar 180 contribuições posteriores à concessão da aposentadoria original e renuncie ao benefício que vem recebendo. O especialista explica que na transformação da aposentadoria, o segurado não pedirá a inclusão das novas contribuições no cálculo anterior, mas sim que o INSS desconsidere o período referente aos recolhimentos que resultaram na aposentadoria original.

“É completamente diferente da desaposentação. O segurado atingiu os requisitos para aposentadoria diferente da atual e não a contagem concomitante dos períodos como é na desaposentação”, compara.

Badari explica que a desaposentação, na maioria dos casos, buscava trocar aposentadorias concedidas de forma proporcional pelo tempo de contribuição ou em razão do fator previdenciário inferior a um. Já na transformação, segundo ele, existe a desconsideração total da aposentadoria anterior, sem qualquer referência à primeira.

Por Martha Imenes

    Fonte: O Dia

    _________________________________________________

    Olá, em resposta aos comentários e muito e-mails recebidos sobre o tema deixo abaixo os dados do processo mencionado pela notícia em tela:

    A decisão é do Juiz Federal Luciano Tertuliano da Silva, titular do Juizado Especial Federal Cível de Assis/SP, nos autos do processo nº. 0000091-85.2017.4.03.6334/SP.

    Para consultar basta inserir o número informado acima na Consulta Pública do site http://www.trf3.jus.br/jef/.

    A sentença na íntegra está disponível na Sequência 33.

    Boa sorte aos colegas.

    Abraços.

    8 Comentários

    Faça um comentário construtivo para esse documento.

    Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

    ...temos que lutar pela desaposentação e/ou então devolver o dinheiro do que foi contribuído no período após a aposentadoria.....posto que o não reconhecimento da desaposentação, além de ferir o direito à dignidade humana do aposentado, trata-se de real confisco praticado pelo governo Federal, agora com a chancela do STF. continuar lendo

    preciso recuperar as contribuições que o INSS, reteve após minha aposentadoria... como? continuar lendo

    Olá, Tarcisio,

    Boa noite!

    Sugiro que procure um advogado especialista em Direito Previdenciário em sua cidade e informe os dados do processo em questão:

    A decisão é do Juiz Federal Luciano Tertuliano da Silva, titular do Juizado Especial Federal Cível de Assis/SP, nos autos do processo nº. 0000091-85.2017.4.03.6334/SP.

    Para consultar basta inserir o número informado acima na Consulta Pública do site http://www.trf3.jus.br/jef/.

    A sentença na íntegra está disponível na Sequência 33.

    Deste modo, o advogado avaliará seu caso e lhe informará sobre a viabilidade ou não do ajuizamento da ação, tendo em vista que a decisão em questão é de primeira instância, acredito que chegue ao STF, porém até lá as chances de êxito devem ser avaliadas por regionalidade.

    Boa sorte!

    Abraço. continuar lendo

    Boa tarde. Tudo Bem? Você tem o modelo desta ação? continuar lendo

    Olá, Natália,

    Boa tarde! Tudo bem e você?

    A decisão é do Juiz Federal Luciano Tertuliano da Silva, titular do Juizado Especial Federal Cível de Assis/SP, nos autos do processo nº. 0000091-85.2017.4.03.6334/SP.

    Para consultar basta inserir o número informado acima na Consulta Pública do site http://www.trf3.jus.br/jef/.

    A sentença na íntegra está disponível na Sequência 33.

    Abraço. continuar lendo

    Oi! Poderia me conseguir, por favor, tal sentença? agradeço de antemão! continuar lendo

    Olá, Jane,

    Boa noite!

    A decisão é do Juiz Federal Luciano Tertuliano da Silva, titular do Juizado Especial Federal Cível de Assis/SP, nos autos do processo nº. 0000091-85.2017.4.03.6334/SP.

    Para consultar basta inserir o número informado acima na Consulta Pública do site http://www.trf3.jus.br/jef/.

    A sentença na íntegra está disponível na Sequência 33.

    Boa sorte!

    Abraço. continuar lendo